OLGA BRIGITTE OLIVA DE ARAÚJO
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
2017
A presente dissertação trata de um estudo acerca da experiência do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT), vinculado ao Programa de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Este curso tem como objetivo a formação de profissionais indígenas, quilombolas e/ou de outros povos e comunidades tradicionais para a realização de pesquisa/intervenção, a partir do diálogo de saberes (acadêmicos e tradicionais), em prol dos Povos e Comunidades Tradicionais. O objetivo desta pesquisa foi analisar as especificidades da proposta Político-Pedagógica do curso, as percepções dos estudantes sobre esta experiência de formação e as contribuições do MESPT para a decolonialidade da universidade. Adotei os pressupostos do método cartográfico para nortear minha práxis no campo da pesquisa, bem como os procedimentos de observação-participante e o diário de bordo para a construção das informações.
Paralelamente a isto, foi realizada uma pesquisa documental do Histórico do ProjetoPolítico-Pedagógico do MESPT e analisado os textos produzidos pelos participantes do curso sobre a experiência de formação neste espaço. Para a análise destas informações foi utilizado o Método Documentário de Interpretação proposto por Ralf Bohnsack. A partir da pesquisa realizada, foi possível identificar que o MESPT é um curso inovador do ponto de vista político e metodológico, destacando-se o compromisso social e político do curso em produzir conhecimentos que contribuam para solucionar os problemas socioambientais e para a promoção dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais. Em termos metodológicos, o MESPT adota a perspectiva da interculturalidade, do dialogo de saberes (acadêmicos/tradicionais) e da interdisciplinariedade. Outra especificidade do curso é ter turmas compostas por uma pluralidade de Povos e Comunidades Tradicionais que vem para a universidade com o compromisso de produzir conhecimentos que contribuíam para fortalecimento da tradição e dos movimentos de resistência e re-existência das suas comunidades.
Tendo em vista o vanguardismo do MESTP na promoção do diálogo intercultural na pós-graduação, considero importante outras pesquisas sobre o curso a fim de conhecer os desafios e as potencialidades do diálogo intercultural na academia.
Palavras-chave: 1. Decolonialidade 2. Universidade 3. Práxis 4. Diálogo de Saberes (acadêmicos e tradicionais) 5. Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto Povos e Terras Tradicionais.